Livro INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS

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INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS: independência, autonomia, alternativa e informalidade. Artistas e exposições em Portugal no século XX
TEMAS E CONCEITOS:

INDEPENDÊNCIA ARTÍSTICA nos séculos XIX e XX, as acções dos artistas que desafiaram o sistema académico e salonista, criando novas condições para o aparecimento de exposições privadas e independentes.

AUTONOMIA dos artistas em relação à jurisdição estatal e ao mercado de arte, com o desenvolvimento de estratégias transgressivas num sistema centrado nas figuras do galerista e do crítico de arte.

ALTERNATIVA e esferas de actuação emergentes a partir dos anos sessenta, resultado da crítica ao sistema institucional da arte, com repercussões na constituição de uma rede de espaços e estruturas colectivas.

INFORMALIDADE e projectos de colaboração de artistas-curadores, baseados em opções de autogestão, com projectos de curta duração e práticas artísticas e curatoriais com novos formatos de cariz experimental.

INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS revela as condições de existência da cultura alternativa, as qualidades e as características transitórias, efémeras, os processos instáveis e informais de ocupação e de instalação que caracterizam as práticas artísticas independentes.

Edição: Sistema Solar | Documenta / STET – livros e fotografias / IN.Transit Editions (em parceria com o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)

Disponível na STET e na Assírio & Alvim. Brevemente em todas as livrarias.

A STET abre 5ª e 6ª feira | 15.30/19.30h | Rua do Norte, 14 – 1º (ao Camões)

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LIVRO CCC_PRÉMIO INTERNACIONAL nos EUROPEAN DESIGN AWARDS

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O livro CCC foi premiado no âmbito dos European Design Awards (ED-Awards) de 2014 na categoria de catálogos de arte com um “Silver Award”.


Em 2012, realizou-se na Fábrica Asa, em Guimarães, a exposição COLLECTING COLLECTIONS AND CONCEPTS, UMA VIAGEM ICONOCLASTA POR COLEÇÕES DE COISAS EM FORMA DE ASSIM.  Posteriormente, desenvolveu-se ao longo de vários meses este livro que funciona como um elemento autónomo do projecto e não como uma mera ilustração da exposição prévia. O 
design gráfico do livro foi concebido em conjunto por Paulo Mendes, comissário do projecto, e pelo estúdio de design R2. 

 

CCC PROJETO LIVRO

Coordenação editorial
Paulo Mendes + Sandra Vieira Jürgens

Design livro
R2 + Paulo Mendes


Especificidades Técnicas
Catálogo no formato 32 x 24 cm com 636 páginas a cor e preto e branco. Versão bilingue _ Português /  Inglês

Editores
FCG _ Fundação Cidade de Guimarães + IN.TRANSIT editions

O livro do projeto CCC regista a exposição mas ultrapassa essa mera documentação de um evento temporário para se tornar num elemento autónomo deste projecto. Apresenta em mais de 600 páginas e 1000 imagens todo o processo expositivo, constituindo também ele uma abordagem à ideia expandida de colecção. Inclui um vasto conjunto de ensaios inéditos sobre esta temática e suas ramificações, mais técnicas ou mais biográficas, numa reflexão crítica sobre o tema. O coletivo de autores apresentados, aproximadamente vinte cinco, abrange diferentes áreas da criação, visual e escrita.


CCC BOOK PROJECT

Com a participação escrita de / with texts by _ >
André Lamas Leite _ Bárbara Coutinho _ Bartomeu Marí _ David Santos _ Emília Tavares _ Filipe Pinto _ Idalina Conde _ Inês Moreira _ João Pinharanda _ João Urbano _ Jorge Barreto Xavier _ Jorge dos Reis _ Júlia de Carvalho Hansen _ Leonor Sá _ Luís Serpa _ Manuel Borja-Villel _ Mariana Jacob Teixeira _ Mário Moura _ Pedro Moura _ Pedro Portugal _ Raquel Henriques da Silva _ Rossana Mendes Fonseca _ Rui Catalão _ Sandra Vieira Jürgens

Projetos Visuais originais para o livro / Special visual projects for the book _>

André Alves _ André Cepeda _ Ângelo Ferreira de Sousa Artur Moreira _ Barbara says… _ Fabrizio Matos _ Fernando Brízio _Franscisco Queirós _ Hugo Canoilas _ Hugo Soares _ Israel Pimenta _ João Gigante _ João Marçal Jorge dos Reis _ José Almeida Pereira _ Lara Torres _ Luís Alegre _ Mafalda Santos _ Pedro Bandeira Pedro Infante _ R2 _ Renato Ferrão _ Susana Gaudêncio

 

CCC _ EXHIBITION PROJECT

[Collecting Collections and Concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim]

Artistas convidados / Guest artists > 
André Alves (pt) / António Caramelo (pt) / António Rego (pt) / Arlindo Silva (pt) / Chen Chieh-Jen (tw) / Cristina Mateus (pt) / Eduardo Matos (pt) / Fernando Brízio (pt) / Fernando José Pereira (pt) / Harun Farocki (de) / Hugo Canoilas (pt) / Jack Strange (uk) / João Marçal (pt) / João Maria Gusmão + Pedro Paiva (pt) / João Tabarra (pt) / Luís Ribeiro (pt) / Luiza Baldan (br) / Mafalda Santos (pt) / Manuel Santos Maia (pt) / Miguel Leal (pt) / Miguel Palma (pt) / Nuno Ramalho (pt) / Nuno Sousa Vieira (pt) / Paulo Catrica (pt) / Pedro Cabral Santo (pt) / Pedro Infante (pt) / Pierre Candide (fr) / Rita Castro Neves (pt) / Rui Manuel Vieira (pt) / Vanessa Billy (uk)

e ainda obras selecionadas a partir das coleções de / and works selected from the collections >

Alexandre Estrela (pt) / André Gomes (pt) / António Júlio Duarte (pt) / António Olaio (pt) / António Sena da Silva (pt) / Bruce Nauman (usa) / Catarina Botelho (pt) / Carlos Afonso Dias (pt) / Cildo Meireles (br) / Christian Boltanski (fr) / Dennis Oppenheim (usa) / Didier Fiuza Faustino (fr) / Douglas Gordon (uk) / Eberhard Havekost (de) / Eduardo Gageiro (pt) /Eduardo Harrington Sena (pt) / Erwin Wurm (at) / Fernando Brito (pt) / Fernando Lanhas (pt) / Fernando Lemos (pt) / Gérard Castello-Lopes (pt) / Hans-Peter Feldmann (de) / Ian Wallace (uk) / Jac Leirner (br) / Joan Fontcuberta (es) / João Paulo Feliciano (pt) / João Pedro Vale (pt) / João Penalva (pt) / João Tabarra (pt) / John Baldessari (usa) / José de Guimarães (pt) / José Dias Coelho (pt) / Jorge Queiróz (pt) / Júlio Pomar (pt) / Lee Friedlander (usa) / Leonor Antunes (pt) / Louise Lawler (usa) / Manuel Alvess (pt) / Margarida Correia (pt) / Marina Abramovic (rs) / Miguel Palma (pt) / On Kawara (jp) / Pedro Cabrita Reis (pt) / Pedro Tudela (pt) / Peter Piller (de) / Raymond Hains (fr) / Richard Hamilton (uk) e Dieter Roth (de) / Rodney Graham (ca) / Ryan Gander (uk) / Sharon Lockhart (usa) / Stan Douglas (ca) / Stephen Shore (usa) / Richard Prince (usa) / Victor Palla (pt) / William Eggleston (usa)


Projetos Especiais _ inauguração / Special projects _ opening >

A kills B (pt) I Jonny Trunk (uk) I Maile Colbert (pt) I Marçal dos Campos (pt) I Miguel Lucas Mendes (pt)
+
Mariana Pestana (pt) com o projecto Copos de Coleção > copos desenhados por Filipe Alarcão I Tiago Almeida I Rita Botelho I Gonçalo Campos I Daniel Caramelo I Catarina Carreiras I Mafalda Fernandes I Manamana I Hugo Passos I The Home Project I Marco Sousa Santos I Paulo Sellmayer I Ricardo Vilas-Boas


Projetos Especiais _ espaço público / Special projects _ Public space >

P28 _ Contentores _ Carlito Carvalhosa (br)
Projetos Especiais _ edições / Special projects _ editions _>

Almanaque por Sebastião Rodrigues (pt), Acme Novelty Library por Chris Ware (usa), Old News por artistas internacionais convidados (dnk), Permanent Food, Charley e Toilet Paper por Maurizio Cattelan (it), Paulo de Cantos (pt), Point d’ironie (fr) por artistas internacionais convidados e ainda outras edições e múltiplos.


Obras de arte contemporânea das seguintes coleções / Works from contemporary art collections >

Coleções institucionais / Institutional collections > BesArt – Coleção Banco Espírito Santo, Coleção da Caixa Geral de Depósitos, Coleção de Arte Fundação EDP, Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, MNAC – Museu do Chiado, Museu do Neo-Realismo


e ainda a colaboração dos seguinte museus / and also the collaboration of the following museums >

Museu de História Natural da U.P., Museu Nacional da Imprensa, Museu de Polícia Judiciária

LISBOA: Lançamento do livro Collecting Collections and Concepts>LISBOA

 

CCC_convite MUSEU CHIADO

 

Lançamento e apresentação pública em LISBOA do livro CCC – Collecting Collections and Concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim

Sexta~feira, 22 de Novembro no MUSEU DO CHIADO pelas 18:30H

www.cccguimaraes2012.com ]

Porto: Lançamento do livro do PROJETO CCC_COLLECTING COLLECTIONS AND CONCEPTS

capa 300dpi NET

 

LANÇAMENTO DO LIVRO:

COLLECTING COLLECTIONS AND CONCEPTS, UMA VIAGEM ICONOCLASTA POR COLEÇÕES DE COISAS EM FORMA DE ASSIM

> INC. Livros e Edições de Autor > Sexta _ dia 20 setembro 2013_ 22:30H _ Rua da Boa Nova 168 _ Porto

 

Depois de um primeiro lançamento oficial em Guimarães ainda no âmbito da programação da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, o livro CCC vai ser informalmente apresentado no Porto. O livro do projeto CCC regista a exposição mas ultrapassa essa mera documentação de um evento temporário para se tornar num elemento autónomo deste projeto. Apresenta em mais de 600 páginas e 1000 imagens todo o processo expositivo, constituindo também ele uma abordagem à ideia expandida de coleção. Inclui um vasto conjunto de ensaios inéditos sobre esta temática e suas ramificações, mais técnicas ou mais biográficas, numa reflexão crítica sobre o tema. O coletivo de autores apresentados, aproximadamente vinte cinco, abrange diferentes áreas da criação, visual e escrita.

A coordenação editorial é de Paulo Mendes e Sandra Vieira Jürgens.

 O design gráfico do livro foi concebido em conjunto entre o comissário do projeto e o design studio R2.

 

<b>CCC BOOK PROJECT</b>

Com a participação escrita de / with texts by _ >

André Lamas Leite _ Bárbara Coutinho _ Bartomeu Marí _ David Santos _ Emília Tavares _ Filipe Pinto _ Idalina Conde _ Inês Moreira _ João Pinharanda _ João Urbano _ Jorge Barreto Xavier _ Jorge dos Reis _ Júlia de Carvalho Hansen _ Leonor Sá _ Luís Serpa _ Manuel Borja-Villel _ Mariana Jacob Teixeira _ Mário Moura _ Pedro Moura _ Pedro Portugal _ Raquel Henriques da Silva _ Rossana Mendes Fonseca _ Rui Catalão _ Sandra Vieira Jürgens


Projetos Visuais originais para o livro / Special visual projects for the book _>

André Alves _ André Cepeda _ Ângelo Ferreira de Sousa _ Artur Moreira _ Barbara says… _ Fabrizio Matos _ Fernando Brízio _ Franscisco Queirós _ Hugo Canoilas _ Hugo Soares _ Israel Pimenta _ João Gigante _ João Marçal _ Jorge dos Reis _ José Almeida Pereira _ Lara Torres _ Luís Alegre _ Mafalda Santos _ Pedro Bandeira _ Pedro Infante _ R2 _ Renato Ferrão _ Susana Gaudêncio

 

Especificidades Técnicas
Catálogo no formato 32 x 24 cm com 636 páginas a cor e preto e branco.
Versão bilingue _ Português /  Inglês.

Editores
FCG _ Fundação Cidade de Guimarães + IN.TRANSIT editions

LIVRO CCC BOOK: Collecting Collections and Concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim

Este é o projeto que estou a editar, com o Paulo Mendes, para a exposição Collecting Collections and Concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim,  que inaugura a 10 de Março de 2012, pelas 21.30h, na Fábrica ASA, em Guimarães.

Em formato de enciclopédia visual e escrita este livro/catálogo foi concebido para documentar o processo de trabalho e de desenvolvimento do projeto curatorial Collecting Collections and Concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim, que integra a programação oficial de Arte e Arquitectura da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura.

Constituindo também ele uma abordagem à ideia expandida de colecção, inclui o texto de apresentação geral e documentação visual sobre o projeto curatorial e um vasto conjunto de ensaios inéditos de importância fundamental para aprofundar o debate e a reflexão crítica sobre o tema. O coletivo de autores apresentados, na sua maioria através de textos originais, abrange diferentes áreas – arte, design, arquitectura, sociologia, filosofia, política, assim como coleccionismo e literatura.



Coordenação editorial
Paulo Mendes e Sandra Vieira Jürgens


Mais informações e lista de autores no site do projeto CCC [WWW.CCCGUIMARAES2012.COM ]

SEM USO – O LIVRO DA EXD’11

“Sem Uso é um pequeno livro sobre um grande tema. Concebido e projectado como um híbrido de livro de bolso e compêndio temático, ele pode também servir como um mapa mental ou um guia anotado para a EXD’11.” — Frederico Duarte

Em formato de livro de bolso, “Sem Uso” reúne ensaios de 5 autores e diferentes perspectivas geracionais de agentes diversificados na cultura contemporânea. Em contraponto a estes textos figuram uma centena de breves provocações, pensamentos ou afirmações de vários participantes anteriores, abrindo a discussão sobre o tema e estimulando interpretações complementares.

Esta foi a minha breve provocação:

O excesso de comunicação gera a ausência de comunicação, o excesso de utilidade a ausência de utilidade. Prova disso é que a economia da inutilidade converteu-se numa questão importante. O direito à preguiça, ser pouco produtivo, parece ser hoje a nossa experiência radical após um sistema baseado na máxima eficiência: fazer o maior número de coisas no menor tempo possível.

Na criação artística, o que parece mais urgente é parar com a obrigação de ser criativo e não gerar a acumulação de objectos e de conceitos. Outras formas de emancipação crítica são possíveis; porém, se  quisermos entender o que se passa, talvez seja necessário questionar o que representa esse elogio à soberania da inutilidade. Nada fazer constitui uma forma de resistência ou uma linha de fuga na direcção da cultura economicista e consumista que tudo recupera, instrumentaliza e neutraliza, até o que a coloca em causa?    —  Sandra Vieira Jürgens

Publicado: Sandra Vieira Jürgens, “Breve provocação: Sem Uso” in Frederico Duarte e Max Bruinsma, Sem Uso/Useless. Lisboa: experimentadesign/Babel, p. 226.

Imagens Médicas – Novas Geografias do Discurso


(Original: Sandra Vieira Jürgens, «Opus Magnum» (com interevnção artística de António Caramelo), Imagens Médicas – Suplemento da Revista Portuguesa de Clínica Geral, nº 3, Maio/Junho 2003).


(Edição em livro: Sandra Vieira Jürgens, «Opus Magnum» (com intervenção artística de António Caramelo), in Manuel Valente Alves e Armando Brito de Sá, Imagens Médicas – Novas Geografias do Discurso, Lisboa, MVA Invent/APMCG, 2005, pp. 134-147).

Entre as coisas que emprestam ao artifício humano a estabilidade sem a qual ele jamais poderia ser um lugar seguro para os homens, há uma quantidade de objectos sem utilidade nenhuma (…)    Hannah Arendt [i]

E é um pouco por compromisso igual que, se os sonhos têm por função assegurar a continuidade do sono, os objectos asseguram a continuidade da vida. Jean Baudrillard [ii]

Creio que a pintura morre, compreende? O quadro morre ao fim de quarenta ou cinquenta anos, porque a sua frescura desaparece. A escultura também morre. É uma pequena mania minha, que ninguém aceita, mas não tem importância. Penso que um quadro morre ao fim de alguns anos, como o homem que o fez; depois, chama-se a isto história da arte.(…) Os homens são mortais, os quadros também. Marcel Duchamp [iii]

Desejaria continuar de citação em citação e estabelecer entre as afirmações destes e de outros autores convocados um exercício de relações próximo ao efeito de dominó criado por Peter Fischli & David Weiss em Der Lauf der Dinge (1985-87), que pela apropriação de artefactos do quotidiano suscita uma ordem de acontecimentos baseada na sucessão de equilíbrios instáveis. Ou seja, gostaria de partir dessa imagem, e depois de substituir os objectos por pensamentos, dar livre curso a uma longa e imparável cadeia de reflexões de vários pensadores. Apenas com um único e simples objectivo, simular o contágio total das leituras que fazemos sem deixar actuar o filtro de protecção e chegar dessa forma a ameaçar o espaço de produção escrita de um original, o sentido e as margens que convencionalmente atribuímos à noção de autoria. Essa seria uma das maneiras válidas de traduzir simbolicamente a ideia generalizada do risco de contaminação que pauta as circunstâncias da nossa vivência na actualidade, mas temo que ela não viesse a ser suficientemente indesejável e exemplarmente arriscada. Isto porque na nova paisagem cultural a ideia de contaminação passou a revestir-se, sobretudo no campo da arte, de um sentido claramente positivo. Não traduz um sintoma de fragilidade e de baixos índices de imunidade, mas pelo contrário uma resposta consequente ao caos e ao excesso informativo que marca globalmente o contexto cultural da actualidade. Como sugere Nicolas Bourriaud em Postproduction, passámos a viver num regime caracterizado pela progressiva erradicação do valor primário da originalidade e da criação, tendo em consideração o número crescente de produtos culturais realizados com base na selecção, na manipulação, na interconexão e recontextualização de materiais já existentes[iv].

É Anthony Giddens que nos fala da intensificação e extensão globalizada do risco que ameaça a nossa sobrevivência no mundo contemporâneo, quando se refere aos perigos de guerra nuclear e biológica, à vulnerabilidade aos surtos epidémicos, à iminência de ataques terroristas, e demais situações que contribuem para a “aparência ameaçadora” que pauta o nosso contexto histórico[v]. De forma a esclarecer a sua abordagem, Giddens não deixa de situar o seu entendimento da modernidade em relação ao passado e salientar a nossa maior consciência perante o que espreita o planeta e afecta o nosso mundo interior.

Nesta nova paisagem, o desejo de evasão tem as suas legítimas causas, mas há também a grande força apelativa das imagens televisivas e o impulso louco que nos leva a seguir o directo, a testemunhar os acontecimentos em tempo real, como se através do ver, desse culto diário, encontrássemos os meios para apaziguar cada uma das nossas incertezas. A crescente apatia pode ser uma das suas consequências mais prováveis, mas mesmo essa aparente invulnerabilidade não deixa de ter efeitos devastadores, modificando em muito a nossa relação com o ambiente.

Recentemente, num curto período, assistimos através de imagens televisivas à demolição de monumentos budistas pré-islâmicos no Afeganistão e aos sinais das pilhagens ao espólio do Museu de Bagdad. Todavia, não obstante o carácter real, o aqui e agora destes acontecimentos dramáticos perpetrados sob o efeito do totalitarismo e da guerra, subsiste em nós a ilusão de que o destino da arte se pode subtrair ao rumo e à vontade dos homens. Oscilamos perante cada ameaça, ficamos chocados quando testemunhamos a queda mortal de uma estátua, símbolo de uma civilização, mas ainda assim mantemos a convicção que nos sustém num engano com efeitos tranquilizadores: a permanência das realizações humanas, não obstante o curso que damos ao mundo.

Para o bem, exercemos como nunca o periódico esforço na preservação e conservação da arte. Asseguramos a longevidade e a existência material cuidando periodicamente do objecto artístico, garantimos o seu recolhimento preventivo, a sua deposição num lugar protegido e seguro, restringimos a sua deslocação geográfica, deixando a sua guarda ao abrigo de um sistema de segurança máxima. Mas enquanto espectadores do mundo que nos rodeia alheamo-nos das causas profundas que desgastam e ameaçam o património cultural. Queremos acreditar que a arte é indissociável das circunstâncias do mundo profano e que é possível suster o seu isolamento. A adesão ao valor imutável, eterno e sagrado da arte é mais forte.

De outra natureza são as razões que nos levam a prosseguir em torno da magia que sustenta a condição imaginária da obra artística: a permanência e a intemporalidade como dom da existência dos objectos artísticos. É desse modo que em visita aos museus de arte clássica, logo esquecemos que muitas das obras representativas da estatuária da antiga Grécia revelam múltiplos sinais de ruína. Esquecemos a fragmentação, a falta de elementos originais, os indícios do que na realidade são, cópias posteriores realizadas no período romano. E não precisamos de recuar à aura do passado. Vivemos na era do fluxo, do provisório, rodeados de uma arte frágil, que usa materiais perecíveis, com prazos de validade substancialmente mais reduzidos. Sabemos que o questionamento da aura, do seu valor e do seu estatuto tornou-se uma tarefa adequada a muitas vanguardas do século, e que em quase todas elas o desejo de subversão encontrou-se indissociavelmente vinculado à dessacralização da arte, à exploração do temporal e do efémero. Mas permanecemos no elogio da distância entre mundos, evitando considerar como natural o desgaste material produzido pelo tempo no objecto artístico. Como se a finitude e a dimensão temporal associada à própria existência fosse algo indesejável de ser pensado através da vida dos objectos.

O tempo não circunda, não contempla, ele avança, toca e deixa marcas. Isso mesmo podemos experimentar em The politics of perception (1973) de Kirk Tougas, obra que nos expõe à repetição de uma mesma sequência fílmica e a um processo crescente de desgaste da qualidade da imagem, até ao seu desaparecimento total. Mas como aqui simbolicamente se traduz, o tempo respeita o processo de vida, actua com consciência íntima do curso da existência. Não age pela lógica da hostilidade e da violência, assim mostrando a sua insensibilidade ao projecto colectivo humano.


[i] Hannah Arendt (1958), A Condição Humana, Lisboa, Relógio D’Água, p. 207.

[ii] Jean Baudrillard (1968), O Sistema dos Objectos, São Paulo, Editorial Perspectiva, 2000, p. 105.

[iii] Marcel Duchamp, Engenheiro do Tempo Perdido (Entrevistas com Pierre Cabanne), Lisboa, Assírio & Alvim, 1990, pp. 103-104.

[iv] Nicolas Bourriaud, Postproduction, Nova Iorque, Lukas & Sternberg, 2002.

[v] Anthony Giddens(1990), As Consequências da Modernidade, Oeiras, Celta, 2002.

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