André Alves – Arame farpado/dinamite: o poder da circulação livre

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ANDRÉ ALVES
Arame farpado/dinamite: o poder da circulação livre

CURADORIA Sandra Vieira Jürgens

INAUGURAÇÃO: 5 de Novembro às 18h
Exposição patente até 18 de Dezembro de 2015

De Segunda a Sexta das 09h30-12h30 / 14h00-17h30

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 No âmbito da Bolsa Fulbright / fcc para a realização de um mestrado nos E.U.A. em Desenho, a fundação carmona e costa, a Comissão Fulbright e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua apresentam uma exposição do ex-bolseiro André Alves com curadoria de Sandra Vieira Jürgens, que se realiza no Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, em Lisboa.

André Alves trabalha sobretudo com o desenho, explorando os limites e as concepções mais expandidas deste meio, através de processos criativos que envolvem múltiplas relações entre as formas plásticas, gráficas e escultóricas, a dimensão física e concreta da escrita bem como a dimensão sensível do discurso poético. A remissão e a pesquisa em torno de determinados conceitos e noções – como o de orientação e instabilidade – acções presentes desde cedo na sua prática artística, têm sido fundamentais num trabalho que procura desde logo partir de processos e exercícios especulativos em torno das dimensões políticas, filosóficas, culturais, psicológicas e existenciais dessas experiências para as traduzir através de bases metafóricas e plásticas.

De uma forma muito concreta, o artista desenvolve uma relação muito atenta às linhas de desenvolvimento da história, desencadeando uma relação dinâmica com o passado, tal como uma atitude analítica/reflexiva com o presente, delimitando algumas das tendências mais características do mundo contemporâneo.

Na exposição “Arame farpado/dinamite: o poder da circulação livre”, dada a curiosa coincidência cronológica de uma das patentes do arame farpado (Lucien B. Smith), da dinamite (Albert Nobel) e da primeira edição de “O Capital” de Karl Marx, André Alves dá continuidade à sua perspectiva autoral no domínio do desenho. Neste projecto, alude a diferentes referências da história da contemporaneidade e da modernidade, para indagar determinados aspectos da história colectiva e de organização económica e social, nomeadamente a tensão existente entre os conceitos e as experiências de restrição e liberdade, assumindo diferentes dimensões expressivas, individuais, identitárias, territoriais, colectivas e ideológicas daí decorrentes.

A nível formal, a associação e o contínuo deslocamento dos sentidos, possibilidades e interpretações metafóricas referidas, manifesta-se sobretudo através de trabalhos com jogos subtis de deslocamento material, de linhas e colagens de padrões de grades, de arame farpado e vedações com interferências e sugestões e ilusões de óptica ancoradas na paradoxal associação entre o significado de restrição e uma prática de desenho explodido/expandido.

A partir desta base de trabalho, André Alves propõe-se observar e reflectir sobre a impermanência, o provisório, a incerteza, a imprevisibilidade, estabelecendo com essas noções uma relação produtiva e aberta que não encerra mas produz novas significações.

Sandra Vieira Jürgens

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André Alves (n. 1981)

Vive entre Lever (PT) e Gotemburgo (SE). Frequenta o Doutoramento em Artes Visuais na University of the Arts Helsinki, realizou o Master of Fine Arts na University of Cincinnati [2009/11] com uma bolsa Fulbright/fcc, um Mestrado em Ensino das Artes Visuais [2009] e Licenciatura em Artes Plásticas Pintura, ambos pela Universidade do Porto [2005].

A sua obra e pesquisa, observam espaços, objectos e situações definidos pela transição e a renegociação do significado de conceitos ligados à ideia de instabilidade, numa aproximação onde formas visuais e textuais se cruzam.

Das suas exposições, destacam-se: “Gramáticas Flexíveis” – Casa das Artes (PT) [2015]; “Instabilidade Permanente” – Casa da Imagem (PT) [2015]; “Aesthetic Jam” – IX Taipei Biennial (CH) [2014]; “Da turbulência à regra” – Má Arte (PT) [2014]; “Estrutura, Objeto, Materia… Acción!” – La conservera, Centro de Arte Contemporáneo (ES) [2014]; “Contornar” – FAC Peregrina (ES) [2013];  “Estado d’Época” – Galeria Sopro (PT) [2012]; “Aproximações à profundidade” – Sala do Veado, (PT)[2012];  “Ex-cavação I” – Sputenik the window, (PT) [2012];  “Collecting Collections and Concepts” – Fábrica Asa, (PT) [2012]; “Massa Falhada”  – Galeria Dama Aflita, (PT) [2012]; “Mute/Motives” – Semantics Gallery (USA) [2011];  “MUSAO OPORTO” – MASC Foundation, (A)[2011]; “Surrounded” –  Reflexus Arte Contemporânea, (PT) [2009]; “Thing …” – In.Transit, (PT) [2007];  “Aunt Nell Gis” – Kunstvlaai 06, (NL) [2006].

VÍDEO: DENSIDADE de Miguel Palma | SOMETIMES THE BEST WAY TO FIND SOMETHING IS TO MOVE AWAY de Pedro dos Reis

Miguel Palma e Pedro dos Reis falam das exposições na Solar.

Inaugura no próximo dia 26 de Novembro, Sábado, às 18h, na Solar, em Vila do Conde

Galeria Baginski: Miguel Palma – Wishful + Thinking

(Original: Sandra Vieira Jürgens, Falácia do Desejo. Texto curatorial da exposição Miguel Palma: Wishful + Thinking na Galeria Baginski. De 4 de Maio a 4 de Setembro 2011)

 

Desde os anos 90, Miguel Palma transita entre suportes variados, estabelecendo diferentes estratégias artísticas na formulação de formas e objecto híbridos, que tem em comum o estabelecimento de uma relação muito particular e produtiva com a realidade e com o espectador. Através da combinação de materiais heterogéneos e da alteração ou transformação dos valores funcionais, culturais e simbólicos dos objectos, o artista revela aspectos da percepção e conhecimento do mundo, que envolvem o espectador num campo de possibilidades de leitura a diferentes níveis.

Esta individual com o título Wishful + Thinking, que Miguel Palma apresenta na Galeria Baginski não foge à regra e caracteriza-se por ser um percurso expositivo por entre um conjunto de trabalhos que constitui uma metáfora visual para a expressão da impotência e força da vontade humana, com múltiplas referências a um universo de experiências de construção de realidades paralelas (reais ou ficcionais, passadas ou visionárias), que o artista decidiu expressar metaforicamente no título desta mostra individual.

Diremos à partida que o pensamento projectivo, o fetichismo material e a falácia do desejo são os três principais eixos desta exposição. No primeiro espaço da galeria, à entrada, antes mesmo de ver o objecto central da exposição, defrontamo-nos com uma área onde se combinam referências escultóricas, plásticas e diferentes projecções de situações de sublimação idealizada, relacionadas com um modelo automóvel de características desportivas, o Lamborghini Countach, veículo de culto produzido em Itália entre 1971 e 1990.

Continuar a ler em: Sandra Vieira Jürgens, Falácia do desejo. Texto curatorial da exposição Wishful + Thinking de Miguel Palma na Galeria Baginski, em Lisboa. 4 de Maio > 4 de Setembro 2011.

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