Wrong Wrong #4 – FALSO/FALSE

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Este número da Wrong Wrong faz-se sob a égide do falso. Adjectivo substantivado, substantivação abstracta, o falso é antónimo de outras derivações impróprias: o verdadeiro, o real, o factual, o sincero, o natural, o genuíno, o correcto, o legítimo. A noção de falso, que portanto incorpora a mentira, a ilusão, o infundado, a dissimulação, o artifício, a contrafacção, o erro e o ilícito, é o negativo do conjunto de prescrições morais que contraria – e por isso condição necessária para que este se defina e possa expandir.

Determinar o falso que nos rodeia e constitui é uma velha preocupação, e uma das mais problemáticas ambições humanas: porque a verdade procurada tende a tornar-se menos importante que a certeza, e porque a certeza seduz mais do que a razão. O falso é a obsessão da certeza, o seu receio, a sua possível realidade. O mundo de que ambos participam, que é facto e ficção, que é concreto e potência, necessita outro prisma, outra leitura.

O falso é também a ideia que fazemos dele. E aquilo que com ele nos propomos fazer. Ele é o que não é mas podia ser, ele integra a imaginação, fruto da dúvida e antídoto, ou pelo menos calmante, para o excesso de verdade – perdão, de certeza – nas nossas vidas.

Assim é o falso. Ainda que as aparências possam iludir.

Marcelo Felix

 

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This Wrong Wrong issue is presented under the aegis of the false. A nominalized adjective,  abstract nominalization, the false is an antonym for other conversions: the true, the real, the factual, the sincere, the natural, the genuine, the correct, the legitimate. The notion of false, which thus encompasses lie, illusion, unfoundedness, concealment, artifice, counterfeit, error, and illicitness, is a negative of the set of moral prescriptions it counters – and therefore a necessary condition for it to define and expand itself.

To determine the false around and within us is an age-old concern, and one of the most problematic human ambitions: for the truth sought after tends to become less important than certainty, and certainty is more appealing than reason. The false is certainty’s obsession, its fear, and possibly its reality. The world that both participate in, of fact and fiction, of concreteness and potentiality, requires a different prism, a different reading.

The false is the idea we make of it too. And what we propose to do with it. The false is that which is not but could be, it’s part of the imagination, fruit of the doubt and an antidote, or at least  a tranquilizer, for the excess of truth – sorry, certainty – in our lives.

So is the false. Although appearances may be deceiving.

Marcelo Felix

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