SEM USO – O LIVRO DA EXD’11

“Sem Uso é um pequeno livro sobre um grande tema. Concebido e projectado como um híbrido de livro de bolso e compêndio temático, ele pode também servir como um mapa mental ou um guia anotado para a EXD’11.” — Frederico Duarte

Em formato de livro de bolso, “Sem Uso” reúne ensaios de 5 autores e diferentes perspectivas geracionais de agentes diversificados na cultura contemporânea. Em contraponto a estes textos figuram uma centena de breves provocações, pensamentos ou afirmações de vários participantes anteriores, abrindo a discussão sobre o tema e estimulando interpretações complementares.

Esta foi a minha breve provocação:

O excesso de comunicação gera a ausência de comunicação, o excesso de utilidade a ausência de utilidade. Prova disso é que a economia da inutilidade converteu-se numa questão importante. O direito à preguiça, ser pouco produtivo, parece ser hoje a nossa experiência radical após um sistema baseado na máxima eficiência: fazer o maior número de coisas no menor tempo possível.

Na criação artística, o que parece mais urgente é parar com a obrigação de ser criativo e não gerar a acumulação de objectos e de conceitos. Outras formas de emancipação crítica são possíveis; porém, se  quisermos entender o que se passa, talvez seja necessário questionar o que representa esse elogio à soberania da inutilidade. Nada fazer constitui uma forma de resistência ou uma linha de fuga na direcção da cultura economicista e consumista que tudo recupera, instrumentaliza e neutraliza, até o que a coloca em causa?    —  Sandra Vieira Jürgens

Publicado: Sandra Vieira Jürgens, “Breve provocação: Sem Uso” in Frederico Duarte e Max Bruinsma, Sem Uso/Useless. Lisboa: experimentadesign/Babel, p. 226.
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VÍDEO: DENSIDADE de Miguel Palma | SOMETIMES THE BEST WAY TO FIND SOMETHING IS TO MOVE AWAY de Pedro dos Reis

Miguel Palma e Pedro dos Reis falam das exposições na Solar.

LANÇAMENTO DO CATÁLOGO_“Densidade” de Miguel Palma e “Sometimes the best way to find something is to move away from it” de Pedro dos Reis

A inauguração das exposições “Densidade” de Miguel Palma e “Sometimes the best way to find something is to move away from it” de Pedro dos Reis está agendada para dia 26 de Novembro, pelas 18 horas, na Galeria de Arte Cinemática Solar, de Vila do Conde.

As duas exposições serão acompanhadas por um catálogo que mais não faz do que alargar o encontro com as obras em exposição e documentar cada projeto, com processos de diálogo que estimularam a conversa e a escrita em torno da experiência da arte, aqui numa rara conjunção de escultura, fotografia, e objetos cinemáticos.

Durante a inauguração será apresentado este catálogo da exposição que é coordenado por Sandra Vieira Jürgens, e integra textos da curadora e de Nuno Rodrigues, bem como uma conversa entre os dois artistas, Miguel Palma e Pedro dos Reis. O design do catálogo é da autoria do artista e designer Luís Alegre e as fotografias do fotógrafo Rui Pinheiro.

Inaugura no próximo dia 26 de Novembro, Sábado, às 18h, na Solar, em Vila do Conde

Appleton Square: Miguel Palma – Close Up

Folha de Sala da exposição  Close Up de Miguel Palma no espaço Appleton Square. Patente de 17 de Novembro a 10 de Dezembro de 2011.

Close Up é uma instalação de Miguel Palma concebida especificamente para as características espaciais e arquitectónicas do espaço Appleton Square. Nele o artista joga habilmente com esses dados, disseminando a sua instalação por dois pisos e estabelecendo diversas relações de descoberta e sentido à medida que o observador percorre as partes que compõem o seu projecto.

Com um interessante jogo de escalas, de articulação de perspectivas, realidades e movimentos de distância e proximidade, Miguel Palma oferece-nos nesta exposição um peculiar exercício de observação que cruza ludicamente uma visão micro e macroscópica, esbatendo a linha entre o amplo e abrangente plano cósmico e a vida dos corpos e seres do Universo.

Comecemos pelo primeiro piso. O telescópio apresentado, que logo evoca a possibilidade de estender ou ampliar a capacidade dos olhos humanos para observar e mensurar objectos longínquos, é assim o que estabelece a ideia de ver mais longe; a sua localização no espaço expositivo, porém, indicia algo diverso da observação e da recolha de imagens de  corpos estelares e dos múltiplos fenómenos e movimentos cósmicos e celestes que compõem a rotina do vasto universo.

Com efeito, a imagem captada pelo telescópio Schmidt-Cassegrain C6-SGT, simultaneamente transmitida em registo vídeo no piso inferior, mostra-nos uma outra realidade, desvendada a partir de uma escala reduzida: um casal (de bonecos) a praticar actos sexuais,  recriando um outro movimento, também ele universal e cósmico, mas íntimo. A revelação interpela-nos pela sua forma muito particular de voyeurismo desmesuradamente ampliado. Como se a desproporção caricatural entre meios e fins expusesse uma verdade oculta sobre os mecanismos que regem a nossa percepção e recepção de espectadores ao que nos é dado a ver – na exposição e para lá dela.

No conjunto do trabalho do autor, Close Up relaciona-se de perto com outras obras que nos convocam muito directamente à experiência da visão. Telescópio (1999), instalação onde a imagem de células cancerosas observadas ao telescópio era ampliada ao ponto de formar uma imagem astronómica é a esse título emblemática. A instalação agora apresentada no Appleton Square situa-se na mesma linha de muitas peças de Miguel Palma que têm na qualidade performativa e mecânica dos corpos a sua máxima expressão. E é manifesta também a sua afinidade com uma das características de muitas das obras do autor: a valorização da imagem e dos dispositivos técnicos que, tornando-se visíveis na prática da instalação, promovem uma estreita articulação entre a escultura e imagem.

Sandra Vieira Jürgens

Link: www.appletonsquare.pt/exposicoes/miguel_palma/mpalma_1.html

Entrevista a Pedro Portugal

Pedro Portugal mostra o seu Gabinete da Politécnica – O Importantário Estetoscópio, no Museu Nacional de História Natural, até 18 de Dezembro de 2011. Instrumentos, fósseis, plantas, animais naturalizados, fotografias e livros extraídos temporariamente dos arquivos, colecções, reservas, bibliotecas dos antigos Colégio dos Nobres e Escola Politécnica de Lisboa constituem o repertório desta exposição rara e singular que configura uma incursão da arte contemporânea nos universos museológicos da ciência e da história natural.

Entrevista a Pedro Portugal publicada na arqa, n. 96/97 (Setembro/Outubro 2011), pp. 86-89

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