Editorial A&L 25

A&L 25 Março/Abril 2010


(Original: Sandra Vieira Jürgens, «Editorial», Artes & Leilões, nº 25, Março/Abril 2010, pp. 04-05.)


A Artes e Leilões renova-se. Apresenta uma nova periodicidade, bimestral, e constitui-se como um objecto, um projecto, um exercício editorial e curatorial, relacional, de materiais textuais e visuais, conceptualmente definido, pensado e desenhado em sintonia com as transformações subtis mas constantes do universo da arte.

Que pensamento e processos norteiam a produção artística contemporânea? A questão que se coloca neste número é uma de muitas passíveis de nos fazer projectar ideias sobre a complexidade e a diversidade da produção artística e sobre diferentes concepções do que pode ser arte. Não obstante a importância dos resultados da prática artística, quisemos abordar as intenções, as expectativas, e as condições essenciais em que trabalham os artistas e os designers contemporâneos. Estabelecemos uma abordagem reflexiva que se estrutura sobre uma profusão de referências, de sentidos e opiniões acerca das intenções, experiências, dimensões e contextos específicos da criação artística contemporânea.

Pensámos este número como uma narrativa fragmentada. A organização temática existe mas pretende ser fluida, invisível na diversidade dos registos escritos: entrevistas, conversas, artigos, críticas.

A nossa selecção não foi complicada: nesta AeL #25 abordamos a prática artística através de uma entrevista dada por João Fernandes, director do Museu de Serralves, curador cuja contribuição intelectual e profissional constitui uma referência do nosso sistema artístico; além de contribuições de vários autores sobre artistas cujos percursos e projectos de trabalho são abordagens exigentes e enriquecedoras de aspectos fundamentais da criação contemporânea.

Apresentamos também artigos de análise de exposições a decorrer, e de livros recentes, e lançamos um olhar atento sobre o mercado da arte que dinamiza os leilões e antiquários. Inauguramos uma série de ensaios visuais, com curadoria de José Luís Neto, que se centrará na apresentação de projectos fotográficos. Publicamos ainda uma edição de imagens e comentários de Miss Dove. Por fim, o design gráfico de Paulo T. Silva é uma afirmação fundamental do nosso projecto de renovação.

Acreditamos que a edição de uma revista será sempre um work in progress, que deve ser entendido como exercício continuado de produção de conhecimento, de investigação, de análise e de opinião, em constante actualização e movimento.

Se a prática da edição, à semelhança da prática artística ou curatorial, articula processos experimentais e operações de construção e desconstrução, desenharemos cada um dos nossos números a partir de questões vitais do universo da arte.

Afinal questionar é a melhor forma de expressar o tempo em que vivemos.

Continuar a ler: SVJ_Editorial_A&L25

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