Natxo Checa: 53. International Art Exhibition – La Biennale di Venezia

(Original: Sandra Vieira Jürgens, «Natxo Checa», Experiments and Observations on Different Kinds of Air. 53. International Art Exhibition – La Biennale di Venezia, DGArtes, Lisbon, 2009, p. lxi).


Natxo Checa is director of the Zé dos Bois Gallery (ZDB), an important independent venue located in Lisbon and dedicated to artistic creation, production and dissemination that is a landmark on the contemporary Portuguese cultural scene.

Carrying out the tasks of management, production, programming and curating from this platform, since 1994 he has led a movement in independent artistic production, with a crucial role in changing perspectives on the visual arts in Portugal. He is developing an original programming model which combines innovative proposals in the sphere of the visual and performance arts and music, and has contributed to implementing the drive to promote artistic offerings with a considerable impact in the national cultural milieu.

His curatorial activities include the presentation of projects by numerous national and international artists, with original works produced in the fields of public art, painting, design, sculpture, installation, photography, video and 16 mm film. These have grown out of a curatorial accompaniment undertaken from the initial period of research in close collaboration with the creators. Among the most recent exhibitions, the following stand out: Swim again / Nada de Novo, by Rigo (2006), co-curated with ManRay Hsu, G (2007), by João Tabarra; Transitioners (2007), by Société Réaliste; Portobello (2008), by Patrícia Almeida; and Ontem (2008), by André Cepeda.

As regards curating of visual art exhibitions held in ZBD, he has accompanied and produced, since 2001, a remarkable group of artistic projects by João Maria Gusmão and Pedro Paiva. DeParamnésia (2002), Eflúvio Magnético (2004/2006) and Abissologia (2007/2008) are the most ambitious projects in the exhibition trajectory of this pair of artists.

As a cultural agent, his activity has encompassed other initiatives, such as the direction of the Atlantic Festival in 1995, 1997 and 1999 and the facilitation of numerous interventions, collaborating with structures in the visual arts, multimedia, new music, dance and theatre. For research into curatorial studies, he was awarded the Fund for Art Research grant, in 2007-2008, by the American Center Foundation.

Currently he is organising a cycle dedicated to the North American Kenneth Anger, which will include a collective exhibition of visual arts of international scope and an anthological show of the producer, as well as a programme of lectures and performances. In respect of Zé dos Bois Gallery activities, he is preparing, for the second half of 2009, the year zero of an international centre for residencies and advanced training based in Lisbon, with the support of high-profile partner institutions.

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Natxo Checa. Catálogo do Pavilhão de Portugal na Bienal de Veneza 2009


(Original: Sandra Vieira Jürgens, «Natxo Checa», Experiments and Observations on Different Kinds of Air. Catálogo da representação portuguesa na 53. International Art Exhibition – La Biennale di Venezia, DGArtes, Lisboa, 2009, p. lxi).


Natxo Checa é director da Galeria Zé dos Bois (ZDB), um importante espaço independente situado em Lisboa dedicado à criação, produção e difusão artística que constitui uma referência da cultura contemporânea portuguesa.

Exercendo as actividades de gestão, produção, programação e comissariado desta plataforma, impulsiona desde 1994 um movimento de produção artística independente com um papel determinante na mudança de perspectiva das artes visuais em Portugal. Desenvolve um modelo original de programação que conjuga propostas inovadoras no âmbito das artes visuais, performativas e da música que tem contribuído para a implementação de uma dinâmica potenciadora de oferta artística com grande impacto no meio cultural nacional.

A sua actuação na área da curadoria inclui a apresentação de projectos de múltiplos artistas nacionais e internacionais, com obras produzidas de raiz, na área da arte pública, da pintura, do desenho, da escultura, da instalação, da fotografia, do vídeo ou do filme em 16 mm que resultaram de um acompanhamento curatorial realizado desde o período de investigação em estreita colaboração com os criadores. De entre as mais recentes exposições destacam-se: Swim again / Nada de novo de Rigo (2006), em co-curadoria com ManRay Hsu; G (2007) de João Tabarra; Transitioners (2007) de Société Réaliste; Portobello (2008) de Patrícia Almeida; e Ontem (2008) de André Cepeda.

No âmbito da actividade curatorial de exposições de artes visuais realizadas na ZDB, tem acompanhado e produzido, desde 2001, um conjunto notável de projectos artísticos de João Maria Gusmão e Pedro Paiva. DeParamnésia (2002), Eflúvio Magnético (2004/2006) e Abissologia (2007/2008) são os projectos mais ambiciosos do percurso expositivo desta dupla de artistas.

Enquanto agente cultural, a sua actividade tem incluído outras iniciativas como a direcção do Festival Atlântico em 1995, 1997 e 1999 e a viabilização de numerosas intervenções, colaborando com estruturas nas áreas das artes visuais, do multimédia, das novas músicas, da dança e do teatro. No âmbito da pesquisa desenvolvida nos estudos curatoriais foi-lhe concedida a bolsa Fund for Art Research, em 2007/08, pelo American Center Fundation.

Actualmente está a organizar um ciclo dedicado ao norte-americano Kenneth Anger, que incluirá uma exposição colectiva de artes visuais de âmbito internacional e uma mostra antológica do realizador, além de um programa de palestras e performances. No âmbito das actividades da Galeria Zé dos Bois, prepara para o segundo semestre de 2009 o ano zero de um centro de residências de âmbito internacional de formação avançada sediado em Lisboa, com o apoio de parceiros institucionais de relevo.

João Maria Gusmão e Pedro Paiva. Representantes de Portugal na Bienal de Veneza 2009

João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Olho Ciclópico, 2008. Filme 16 mm, cores, sem som, 2’45’’.

(Sandra Vieira Jürgens, «João Maria Gusmão + Pedro Paiva», Experiments and Observations on Different Kinds of Air. Catálogo da representação portuguesa na 53. International Art Exhibition – La Biennale di Venezia, DGArtes, Lisboa, 2009, p. lvii).


João Maria Gusmão (Lisboa, 1979) e Pedro Paiva (Lisboa, 1977) frequentaram conjuntamente o curso de Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e começaram a expor os trabalhos realizados em parceria em 2001, numa exposição colectiva intitulada InMemory, na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Desde então que a sua produção artística está ligada a esta instituição. Nos três anos seguintes o percurso expositivo da dupla esteve marcado pela exibição de projectos como DeParamnésia (partes 1, 2 e 3, em 2002), Air Liquide (2002), O Ouro dos Idiotas (2003), Matéria Imparticulada (2004) e Eflúvio Magnético: O Nome do Fenómeno (2004). Em 2005 os dois artistas venceram a 5ª edição do Prémio Novos Artistas, instituído pela EDP, e exibiram um conjunto de trabalhos intitulado Intrusão: The Red Square no Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea. No ano seguinte apresentaram Eflúvio Magnético (2ª Parte) na Galeria Zé dos Bois e Eflúvio Magnético (Síntese) no Teatro Municipal da Guarda. Em 2007 é organizada a primeira mostra individual do seu trabalho no estrangeiro, com a exposição Crevasse, no Museu de Arte Contemporáneo de Castilla y León (Espanha), seguida de várias outras individuais em 2008, como Horizonte de Acontecimientos no espaço Matadero Madrid (Espanha), Hydraulics of Solids na Adam Art Gallery at Victoria University of Wellington (Nova Zelândia) e Passengers: 1.7 na CCA Wattis Institute for Contemporary Arts, São Francisco (Estados Unidos). Nesse ano exibiram ainda Meteorítica na Galeria Graça Brandão em Lisboa e na Galeria Fortes Vilaça em São Paulo (Brasil), Abissologia na Cordoaria Nacional / Galeria Zé dos Bois e Articulações nas Minas de Salgema em Loulé. Em 2009 apresentaram About  The Presence of Things no Kunstverein Hannover (Alemanha). O seu trabalho foi mostrado em múltiplas exposições colectivas desde 2001, salientando-se a presença, em 2006, na 27ª Bienal de São Paulo (Brasil), em 2007 na Trienal de Luanda (Angola), na 6ª Bienal de Mercosul, Porto Alegre (Brasil), no Prémio União Latina, Culturgest (Lisboa) e, em 2008, na Manifesta 7 – European Biennial of Contemporary Art, Rovereto (Itália) e nas exposições Part of the Process 3, Galleria Zero, Milão (Itália) e O Presente: Uma Dimensão Infinita, Museu Colecção Berardo, Lisboa.

Gusmão e Paiva desenvolvem os seus projectos artísticos no campo da fotografia e do filme de 16 mm e no domínio da instalação, com a apresentação de projecções de vídeos e de diapositivos. Nestas áreas de actuação constroem situações e narrativas que tomam a forma de pequenas ficções, onde exploram a fusão entre a arte e a ciência. A sua obra é em parte dominada por temas onde o âmbito de investigação experimental, a técnica, a invenção, o processo de descoberta ou o factor de risco surgem retratados de uma forma muito característica. Filmam e tiram fotografias em espaços naturais, em paisagens de montanha e em locais longínquos, distanciando-se dos cenários dos modernos laboratórios onde os processos experimentais e a exploração do mundo hoje acontecem. Os materiais que utilizam são simples, a tecnologia é tratada sem meios sofisticados e os efeitos e fenómenos que transpõe para o meio artístico são concretizados de modo bizarro e misterioso, sem que diminua em nada a impressão produzida. Os seus trabalhos são desconcertantes, promovem uma incerteza relativamente à autenticidade do que foi visto e comportam, além disso, uma outra nota de ironia e de absurdo que são também traços característicos da sua obra conjunta.

Um aspecto fundamental da sua intervenção relaciona-se também com a produção escrita que acompanha o trabalho artístico dos dois autores. Nesse sentido deverá mencionar-se a reflexão teórica que desenvolvem em torno dos assuntos que pretendem abordar e as aproximações que fazem ao campo da literatura e a vários domínios da filosofia, da estética e da física. Usam material literário, como é indicado num dos seus projectos mais importantes e ainda em curso, Eflúvio Magnético, onde se baseiam na obra O Homem que Ri de Victor Hugo. Na maior parte da sua pesquisa conferem um papel preponderante a questões que nos remetem para o pensamento de autores como Bergson, Nietzsche e Heidegger. Também Alfred Jarry, autor da “patafísica”, definida como “a ciência das soluções imaginárias”, constitui referência entre os interesses omnipresentes na obra de João Maria Gusmão e Pedro Paiva: a experimentação, a relação entre a ciência, a ficção e a poética.

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