Mundo Visível de Peter Fischli e David Weiss no Museu de Serralves

(Original: Sandra Vieira, «Fischli & Weiss» in Arte y Parte: Revista de Arte – España, Portugal y América, n. 34, Agosto/Setembro 2001)

Crítica da exposição Mundo Visível de Fischli & Weiss no Museu de Serralves.

Der Lauf der Dinge /The Way Things Go (1985-87) é sem dúvida a obra mais conhecida de Fischli e Weiss. Na peça os acidentes sucedem-se ao longo da cadeia formada por diferentes artefactos, e para lá da aparente sensação de desordem e impressão de catástrofe que dela resultam, é um paradoxal sentido de regularidade e banalidade que se evidencia nos vários equilíbrios instáveis encenados pela dupla suíça. Desde o seu encontro, que ocorreu no final da década de setenta, Peter Fischli (n. 1952, Zurique) e David Weiss (n. 1946, Zurique) elegeram a simplicidade e a normalidade como propósitos conceptuais, para a partir da sua obra constituirem o que os próprios definem como “uma enciclopédia de interesses pessoais”. Do corpo do seu trabalho fazem também parte réplicas de poliuretano produzidas a partir de objectos encontrados em ambientes familiares, na cozinha (Resteckfach/Divider, 1987) ou no estúdio (Tisch, 1992/93), e vídeos que registam situações banais. Assim, uma ida ao dentista (At the Dentist, 1995), a visita a uma unidade de fabrico de queijo (Cheesemaking, 1995), as viagens que os artistas fazem pela sua cidade, Zurique, ou o simples acompanhamento dos movimentos de um gato (Cat in Venice, 1995) tornam-se acontecimentos que se apresentam ao espectador na qualidade de intervenções artísticas. Tratando-se de exercícios de acumulação que revelam a atenção a objectos do quotidiano desprovidos do seu valor de uso e a actos destituídos de especial relevância, há ainda a destacar as características lúdicas de que se revestem as suas acções. São traços que além de reflectir uma atitude cúmplice perante as casualidades do mundo real deixam entrever o modo em que tem lugar a sua aproximação crítica ao sistema artístico no qual se inserem. Reflexão que à semelhança da observação dos detalhes da suas obras não dispensa a experiência de um tempo longo.

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