Cisco Jimenez e Pedro Tudela na Canvas

(Original: Sandra Vieira, «Cisco Jimenez» in Arte y Parte: Revista de Arte – España, Portugal y América, n. 34, Agosto/Setembro 2001)

Crítica da exposição de Cisco Jimenez e Pedro Tudela na Galeria Canvas de 8 a 28 de Setembro e 29 de Setembro a 20 de Outubro de 2001

Nas suas obras, Cisco Jimenez (Cuernavaca, 1969) usa as formas da arte popular para produzir comentários irónicos sobre a sociedade mexicana. Por exemplo, na peça Carpenter Barbie ao apresentar um martelo rudemente esculpido que representa a imagem da sua Barbie mexicana, Jimenez evoca a perfeita sintonia com o sentido expressivo e crítico das representações artesanais. A sua pintura, inspirada numa diversidade de referências, na tradição da pintura mural, nos cartoons e cómicos, integra composições de diferentes formatos, por vezes numa combinação sem hieraquias, lembrando a prática da colagem e assinalando a atmosfera do gabinete de curiosidades. Tus Pinches Greñas (1999) e Falopicosas (1999) sugerem isso mesmo. Nelas estão também expostos os elementos do seu vocabulário iconográfico, torneiras, estruturas cutâneas e orgãos internos do corpo feminino, que em conjugação absurda, obsessiva e provocadora, desecadeiam uma apropriação simultaneamente pessoal e surrealista da “beleza convulsiva”.

Pedro Tudela (n. 1962, Viseu/Portugal) também expõe na Canvas. Frágil é o nome do trabalho que realiza usando variados materias e suportes: pintura, vídeo e som. Artista plástico, “performer” e músico do grupo Mute Life Dept, Tudela tem convocado em anteriores projectos individuais os diferentes meios de que dispõe para aceder a todas as possibilidades do sentir. De entre os elementos que integram as suas instalações, deverá mencionar-se a criação, de sons associados às peças e ambiências sonoras que particularizam o cenário das suas exposições. Dessa abordagem faz também parte a representação de alvos circulares, marcas, vestígios e acidentes que apresenta, simulando experiências e movimentos que incitam o espectador a pensar o corpo. O tema central das suas obras. S.V.

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