Ângela Ferreira na Luís Serpa


(Original: Sandra Vieira, «Ângela Ferreira» in Arte y Parte: Revista de Arte – España, Portugal y América, n. 34, Agosto/Setembro 2001)


Crítica da exposição de Ângela Ferreira na Galeria Luís Serpa Projectos de 22 de Setembro a 3 de Novembro de 2001.


A questão da identidade, a história colectiva e o sentimento de pertença são aflorados na obra de Ângela Ferreira (n. 1958, Maputo) mediante um exercício de certificação da memória. Nascida em Moçambique, Ângela Ferreira tem mantido através da sua obra artística uma forte ligação a Portugal. Aqui trabalhou durante a última década e a este período da sua actividade se reporta o núcleo de obras onde, de forma singular no contexto português, procedeu ao reconhecimento das imagens da história recente. A visão nacionalista do Estado Novo e o discurso ideológico ditatorial foram objecto de reflexão em Portugal dos Pequenitos (1994), e foi com semelhante sentido de indagação que em obras posteriores abordou a presença portuguesa em África. Amnésia (1997) é disso exemplo: O título assinala o frequente esquecimento votado a este período do passado nacional, e recorrendo aos elementos que integravam a sua instalação, Ângela procedia à reconstituição de um espaço de referências culturais entrecruzadas. A sala familiar apresentava mobiliário africano e objectos de cerâmica popular portuguesa, tornando ainda mais presente o testemunho vivencial através de material documental em vídeo. Já em outros trabalhos, expõe o registo histórico e joga com o peso da sua contribuição biográfica. Em o O Retrato da Casa ou as referências possíveis de uma intimidade (1999) é a partir da imagem da casa onde nasceu em Moçambique, um exemplar de arquitectura modernista, que alia a visão pessoal à evocação do impacte cultural europeu no seio do mundo africano. Muito recentemente a artista regressou à África do Sul, país onde estudou e viveu durante algum tempo. No espaço da Luís Serpa, Ângela Ferreira apresentará no âmbito do projecto 2001: Odisseia no Tempo, a instalação que exibiu no Centro de Arte Contemporânea do Witte de With, em Roterdão.

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