PLANO XXI. Portuguese Contemporary Art, Glasgow


(Original: Sandra Vieira Jürgens, «Plano XXI», Número Magazine, n º 7, Outono 2000, pp. 82-85).

 

Plano XXI dá título a um projecto multidisciplinar a decorrer em Glasgow a partir de 15 de Setembro. O seu principal objectivo é oferecer ao público daquela cidade uma ampla visão da criação portuguesa contemporânea, representada pelas artes plásticas, a música e o cinema. Um ciclo de conferências que integra participações nacionais e internacionais alarga ainda o âmbito desta iniciativa pensada e organizada por Paulo Mendes e António Rego, os comissários-artistas que tomaram a iniciativa de estabelecer esta ponte. Esta mostra colectiva de arte contemporânea pode ser encarada como uma extensão internacional das várias exposições independentes que nos últimos anos têm vindo a ganhar peso na programação cultural, constituindo uma resposta crítica aos modos de actuação das estruturas institucionais. A vitalidade desta movimentação pode ser aferida também pelo que de novo soube introduzir na cena artística nacional: a ocupação de espaços pouco usuais, a exploração de temas pouco abordados entre nós e, seguindo uma orientação que escapa às restrições de ordem económica e burocrática do contexto institucional dos museus e galerias, a apresentação de projectos de artistas desconhecidos ou em início de carreira. Para esta ocasião os mentores da exposição pretendem perspectivar os anos 90 e reunir o conjunto de artistas que participaram nesse programa de renovação. Sem obedecer a intuitos representacionais rigorosos é antes de mais o contexto geracional em que ocorre o desenvolvimento desse programa que aqui está patente. A selecção dos trabalhos foi na sua generalidade determinada pela escolha de obras representativas dos vários percursos individuais, não tendo sido a motivação estritamente retrospectiva, já que se procurou articular a sua presença com obras recentes. Ainda que a ideia de circuito alternativo possa hoje ter perdido aspectos fundamentais do seu sentido, importa pensar no carácter experimental destas iniciativas e no modo como encontraram o espaço da diferença onde puderam manifestar-se e evoluir múltiplas tendências artísticas. Outra questão é a de saber de que maneira isso se repercute nas obras aqui expostas. Nesse quadro de abordagem podemos mencionar o progressivo distanciamento em relação aos meios artísticos tradicionais, especialmente o da pintura, e a exploração de novos territórios, sem atender a convenções formais. E uma preocupação crítica e reflexiva, sobretudo no domínio alargado do social. O que se poderá apreciar em Glasgow é uma plataforma de múltiplos percursos e diferentes estratégias dentro de uma comum busca alternativa de visibilidade e afirmação. Afinal os dados com que estes artistas souberam, até agora, gerar uma posição singular na arte contemporânea portuguesa.

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